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História do Rádio Controle |
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desde 18/09/2000 |
O que será
citado aqui é produto de memória e não de pesquisa, portanto sujeito a erros,
não graves mas sempre erros. Portanto desculpem certas falhas, mas é melhor isso
do que nada. No inicio dos anos 50 uma pessoa de nome "Ernest Konrad" conseguiu
montar um kit americano de rádio controle que funcionava, não lembro a marca. O
avião era um Pipper Cub com 2,40 de envergadura de asas, de propriedade do Sr.
Felice Cavalli.
Era possível se
voar em Congonhas, não na pista principal mas na secundária que era chamada de
16. (?) A segunda pessoa que montou um rádio controle foi o Sr. José Mendes , e
a terceira fui eu.Os rádios eram montados e não feitos e sempre foram, dado que
os componentes eram importados -todos- ,donde, dizer que fez um rádio era pura
mentira. Falando em técnica da época, e vale a pena saber, para quem entende de
radiotécnica, é um prato cheio.
Os rádios eram
da seguinte forma: Transmissor; normalmente usava-se uma válvula 3A5, que era um
duplo triôdo, com tensão de placa de 67,5 V e 1,5 ou 3 de filamento. Era um
oscilador livre sem comando a cristal, e usava-se um circuito flip-flop como se
fosse um multivibrador atual. A potência irradiada era da ordem de 3 Watts , a
freqüência da ordem de 27,255MHz, não possuía modulação . O sistema de
transmissão era comutar a portadora, cada comando dava-se um pulso de RF (rádio
freqüência).
O receptor era
do tipo regenerativo, as válvulas mais usadas eram, RK-61 ou XFG-1, eram triodos
a gás, muito sensíveis e seu ganho era enorme, ela estava diretamente ligada a
um relê que marcou época era o Sigma
Os rádios não
possuíam servos, o que dava o movimento aos lemes eram dispositivos chamados em
inglês de "scapement"; esse dispositivo era composto de uma catraca de quatro
tombos e cuja torção era tocada a elástico torcido -o mesmo elástico que se
usava na época para virar hélices de certos aero- modelos. Os primeiros rádios
só possuíam um canal e não proporcional, era assim --- um pulso era direita
,outro centro outro esquerda, outro centro e assim sucessivamente.
Era necessário
ser bom de dedo para pilotar um aeromodelo. O comando era no leme de direção e
não no aileron. A primeira loja a importar kits de RC (rádio controle) foi a
Mobral era na Rua Marques de Itu, e não lembro o número; isto em 1954. Mobral
era Modelismo do Brasil e não o malfadado movimento de alfabetização de adultos
do regime de exceção. Eram da marca "Lorenz" ( made in USA) .Cheguei a montar
alguns deles e todos funcionavam bem até a uma distância de
A partir de 1956
começaram a chegar ao Brasil rádios já prontos para se instalar e voar, haviam
algumas marcas, a saber De Bolt , Babcock, Heat, Avionics e outros que não me
lembro. A onda começou a pegar mesmo em 59/60 quando apareceram o primeiro
proporcional de um único canal da Babcock, o Aristo Kraft com modulação em AM, o
ED ( eletronics developments) era inglês, foi o primeiro rádio de três canais
não simultâneos, com modulação em AM e com filtro de tom mecânico era "Reed
Banks" sistema que pegou bem no mercado e durou até a entrada em operação do
proporcional.
Os alemães
entraram com toda a força com um rádio mono e um tri-canal com uma inovação
enorme, embora a válvulas, usavam pilhas comuns de 1,5V do tipo grande com 9
pilhas. O receptor usava 6 de 1,5 V da pequena e alimentava também os servos.
Sua marca "Metz Mecatron". Nos outros rádios usava-se 1 pilha para o filamento
1,5 V, uma pilha para a placa 22,5V e 4 pilhas de 1,5 para os servos ou
catracas. Os alemães inovaram e venderam muito na época. Mas não sei porque
sumiram do mercado.
Em 1957 eu pus o
primeiro rádio em um modelo de barco, só controlava o leme e era com servo,
copiado do Babcock. Em 1959 instalei um ED de três canais sendo dois para o
leme, sim lógico, os rádios não eram proporcionais e assim não seria necessário
a seqüência poderia se dar esquerda e direita quantas vezes fosse necessário. O
outro era motor; liga e desliga. No inicio dos anos 60 começaram a aparecer os
rádios de duplo comando ou seja já se podia acionar dois comandos de uma só vez.
Possuíam de
Na mesma época a
Babcock aparecia com o "galoping goast" foi o primeiro proporcional e ainda a
válvula, logo em seguida passou a ser válvula na RF e transistor no áudio. O
Kraft copiou mas o sistema não pegou porque comia pilhas; em 15 minutos ia um
pack. Nos anos 68/70 apareceram no Brasil os primeiros rádios totalmente
transistorizados e proporcionais sua marca "Bonner" USA, mais ou menos como os
de hoje, com dois stics de uma função e em seguida o Orbit com um stic de três
funções mais um botão não proporcional.
O primeiro rádio
com a conformação dos de hoje com dois stics de duas funções, e mais outros
botões de funções proporcionais foi o Kraft. Foi o rádio mais usado na época.
Custava caro, cerca de 600 US Dollar.
Nessa época duas
firmas tentaram vender rádios em kits para montar e era proporcional , eram a
Micro-Avionics e a HeatKit, não colou em parte alguma do mundo e elas
sucumbiram.Em 1970 apareceu o primeiro rádio Futaba, também na mão do Cavalli da
Mobral mas ele não se deu conta de que tinha um quinhão na mão, lhe estavam
oferecendo a representação para o Brasil.
Nessa época apareceu uma firma japonesa montando rádios no Brasil , era uma firma que montava rádios para automóveis seu nome não lembro, e seu rádio era o Sanwa japones. A Aerobras representava a OS tanto com motores como rádios, e no momento o quente era ter um Kraft. Futaba era um ilustre desconhecido.
Com o passar dos anos , ou melhor após os
anos 70 pouco ou nada se inovou nos rádios em comparação com os primórdios,
sofisticaram e melhoraram as performances, mas em termos, são todos iguais desde
então.
A única inovação
que realmente acho que valeu a pena é o PCM (pulse code modulation) , esse sim é
um rádio micro processado que tem uma grande imunidade a interferência
externas ou mesmo internas, não se livra de outro na mesma freqüência nunca, mas
é bem mais confiavel do que qualquer outro rádio que já apareceu até o presente
momento. Hoje em dia falar em rádio controle é falar em Futaba, os demais sequer
eu sei o nome e se existem representantes no Brasil deles.
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